segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Día Mundial del Patrimonio Audiovisual


27 de octubre: Día Mundial del Patrimonio Audiovisual
«Explora el pasado a través del sonido y las imágenes», UNESCO 2019

En el marco del proyecto de concientización del valor del documento audiovisual, el Archivo General de la Nación, realiza una campaña digital en la que incluye registros de actos cívicos y electorales que forman parte de su acervo documental.

En concordancia con su triple función social, ser fuente para la historia, el arte y la cultura; memoria institucional y garante de los derechos ciudadanos, el Archivo General, se une una vez más a la propuesta de la Unesco: “concientizar sobre la necesidad de tomar medidas urgentes y reconocer la importancia de los documentos audiovisuales, como parte integrante de la identidad naciona

El Departamento de Cine, Audio y Video, perteneciente al Archivo General de la Nación, lleva adelante este año la 4° edición de su proyecto de concientización del valor del documento audiovisual. En ese sentido, difundirá diferentes videos con registros documentales de su acervo referidos a actos cívicos y electorales, con el fin de poner en valor los procesos democráticos de Argentina. 

Los documentos audiovisuales contienen los registros principales de los siglos XX-XXI; son fundamentales para probar los hechos de la Administración Pública y otros actores sociales. Es importante que mantengamos su autenticidad, integridad, fiabilidad y respeto al contexto de creación y producción. 

Gran parte del patrimonio audiovisual del mundo ya se ha perdido irremediablemente a causa de la negligencia, la destrucción, el deterioro y la falta de recursos, competencias y estructuras, empobreciendo, de esta forma, la memoria de la humanidad.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Exposição Coletiva - Novas Referências



Na próximo dia 19 de outubro, um dos integrantes do GPAF, Rinaldo Morelli participará da abertura da mostra "Novas Referências - Fotografia" apresentando a série Candângulos. A sala Acervo da Referência Galeria de Arte receberá a mostra coletiva com obras de André Dusek, Frederico Lamego, Luiz Nunes e Rinaldo Morelli às 17 horas. Também estará disponível ao público a mostra "Secos & molhados" de Kazuo Okubo. No dia da abertura os fotógrafos participarão de uma conversa aberta ao público. Estão todos convidados!

Informações da Mostra
Sábado: 19 de outubro de 17h as 20h - abertura e conversa com os fotógrafos
Mostra em Cartaz: até dia 23 de Novembro
Dias de funcionamento: segunda à sexta de 12h às 19h
                       sábado 10h às 15h
Local: Referência Galeria de Arte - 202 Norte Bloco B Loja 11 - Subsolo

Rinaldo Morelli - Sala Acervo
Kazuo Okubo - Sala Principal

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Palestras sobre o cineasta Stanley Kubrick

Na próxima semana, o GPAF recebe a palestrante Mônica Tenaglia para contar a sua experiência de trabalho no arquivo do cineasta Stanley Kubrick. As palestras acontecerão nos dias 14 e 16 de outubro, no laboratório da Faculdade de Ciência da Informação (FCI), da Universidade de Brasília, às 19 horas. Estão todos convidados!


terça-feira, 8 de outubro de 2019

A imagem - Eduardo Neiva Jr.


Beto Monteiro - 2/2019

Para fomentar o debate sobre o conceito da comunicação da informação, atividade desenvolvida pela disciplina Gestão de Documentos Fotográficos, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília, destaco três momentos do livro intitulado “A imagem”, de Eduardo Neiva Júnior, lançado pela editora Ática, São Paulo, em 1986.

A forma da imagem    
1. (P.10) De que maneira o discurso e sua sequencia se compatibilizam com a imagem e sua configuração? Ainda é cedo para uma resposta definitiva. Mesmo correndo o risco de ser óbvio, prefiro dizer que imagem e discurso têm em comum a união indissolúvel de expressão e conteúdo.  
1.1 (P.11) A imagem, enquanto tal, dispensa a semelhança. O que se chama semelhança talvez seja mera familiaridade. As réplicas não surgem naturalmente, pois dependem de convenções de tal maneira interiorizadas que acreditamos na sua naturalidade inevitável. Graças às convenções, e apesar de sua inexistência enquanto coisas, podemos representar o que inexiste materialmente – por exemplo, dragões, unicórnios, fantasmas -, mas que se apresenta como imagem.  
A evidência, tipificada pela máxima “ver para crer”, caracteriza os signos visuais, enquanto os traços auditivos são menos discrimináveis; logo, exigem um grau maior de convencionalidade, o que não quer dizer que a imagem esteja livre de regras de constituição. É por exemplo dominante, na pintura ocidental, a regra de que os estímulos visuais devem ser entendidos através de sua relação com os objetos representados. Se não reconheço a referência, a frustração e a indiferença estragam a minha contemplação. Diante de um vácuo cultural, rejeito o que é percebido. 
2. (P.20) Uma senhora visita uma exposição de arte moderna e queixa-se de que nenhuma mulher real tem, como num quadro de Picasso, visto por ela, dois olhos oblíquos sobrepostos num mesmo perfil. Mesmo sem conhecer a distinção de Frege entre sentido e referência, o artista tem direito a responder que diante dos seus olhos não está uma mulher; trata-se de uma pintura. “A imagem não reproduz o visível; torna-se visível” (PAUL KLEE, 1973).  
Perspectiva 
3. (P.34) O ideal não é apenas enganar o olhar, mas colocar em ação uma cuidadosa estratégia de representação que, simultaneamente, iluda o olhar e a inteligência do espectador, lançando a visão contra o entendimento: um prazer perverso e vertiginoso.
Ilusão 
3.1 (P.48) Quando a relação entre imagem e coisa é imitativa, o suporte da representação funciona como um espelho, devolvendo, serenamente, a aparência do que é representado para o olhar. O espelho é uma metáfora idealizada do tipo de relacionamento que define a realidade. 
A imagem fotográfica 
3.2 (P.64) A fotografia transforma em cena o que vivemos. A eficácia social da foto é tanta que passamos a conduzir nossas vidas na lembrança da representação, como se fôssemos legitimados pelo registro do acontecimento. O ato de fotografar é obrigatório nos casamentos, batizados, comemorações e viagens; guardamos a foto da namorada na carteira; os estados civis são conservados em álbuns de família. Portanto, a fotografia sublinha a importância do momento: tudo que é importante deve ser fotografado. Deixamos de viver; posamos.

Referência:
NEIVA Jr., Eduardo. A imagem. São Paulo: Ática, 1986.

Os fenômenos de interesse para a Ciência da Informação - Wersig & Neveling

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Como parte da atividade proposta na Disciplina Gestão de Documentos Fotográficos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB) são apresentados abaixo três trechos relacionados ao tema "Comunicação da Informação" extraídos do trabalho  Os fenômenos de interesse para a Ciência da Informação (WERSIG, Gernot; NEVELING, Ulrich, 1975, tradução: Tarcísio Zandonade) para serem discutidos em sala de aula.

"O caso extremo de polissemia na comunicação técnica da informação e da documentação é o termo ‘informação’. A análise semântica feita por um dos autores deste trabalho mostrou que existem, pelo menos, seis diferentes abordagens para o uso e significado do termo em todo o campo da disciplina.
Obviamente, cada uso e significado do termo é justificado, mas como a ambigüidade é um dos maiores entraves na comunicação científica e na elaboração de teorias, dever-se-á encontrar uma regra para avaliar qual é o significado que convém para cada objetivo. Podem-se caracterizar seis tipos ou abordagens principais de ‘informação’, com base na estrutura geral de relações entre homens e mundo.
A) A abordagem estrutural (orientada para a matéria)
B) A abordagem do conhecimento
C) A abordagem da mensagem
D) A abordagem do significado (característica da abordagem orientada para a mensagem)
E) A abordagem do efeito (orientada para o receptor)
F) A abordagem do processo"

"A abordagem puramente prática, com métodos tradicionais, de preferência biblioteconômicos, provou ser ineficaz para a solução do problema fundamental. A partir dos requisitos de uma prática que cresceu e se tornou cada vez mais complexa, emergiu o trabalho científico, e, em seguida, apareceu um grupo de pessoas, foi utilizada uma nova tecnologia e surgiu a comunicação especializada.
Desta maneira desenvolveu-se uma nova disciplina - não por causa de um fenômeno específico, o qual sempre existira e agora se transformou num objeto de problema cuja relevância para a sociedade foi completamente alterada. Hoje, o problema da transferência do conhecimento para aqueles que dele necessitam é uma responsabilidade social e esta responsabilidade social parece ser o motivo real da ‘ciência da informação’."

"A partir de uma combinação da evolução histórica, o desenvolvimento de necessidades sociais específicas e o desenvolvimento de novas metodologias e tecnologias fizeram emergir uma nova disciplina que é, às vezes, chamada ‘ciência da informação’ (ou por outros derivados do termo ‘informação’). Esta ciência é baseada na noção das necessidades de informação de certas pessoas envolvidas em trabalho social, e relacionadas com o estudo de métodos de organização dos processos de comunicação numa forma que atenda estas necessidades de informação. O termo básico ‘informação’ pode ser entendido somente se definido em relação a estas necessidades de informação: tanto a redução da incerteza causada por dados comunicados quanto como dados usados para reduzir incerteza.
Esta ciência está relacionada com a organização dos processos de comunicação destinados à informação para uma clientela específica. Esta é uma ciência em parte semelhante à comunicação de massa destinada ao preenchimento das necessidades de informação para o público em geral, justificáveis social e individualmente. Depois disto, disciplinas similares são biblioteconomia, museologia, arquivologia, educação (todas servindo a diferentes clientelas, de acordo com diferentes necessidades de informação).
Por outro lado, há diversas intersecções destas disciplinas com outras tradicionais, por exemplo:
• Psicologia (psicologia da informação);
• Sociologia (sociologia da informação);
• Economia (economia da informação);
• Ciência política (política da informação); e
• Tecnologia (tecnologia da informação)."

Referência:


WERSIG, Gernot; NEVELING, Ulrich. Os fenômenos de interesse para a ciência da Informação. Information Scientist, v. 9, n. 4, p. 127-140, Dec. 1975. Tradução: Tarcísio Zandonade. Disponível em <https://www.scribd.com/document/196242690/Os-fenomenos-de-interesse-para-a-ciencia-da-informacao-Wersig-Neveling-pdf>. Acesso em 7 out. 2019.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Uses & Misuses of ISAD(G) by Documentary Custody Institutions André Porto Ancona Lopez

The International Standard Archival Description, é a Descrição Padrão de Arquivo Internacional, mais comumente conhecida por sua sigla, ISAD (G) é o resultado da tentativa do Conselho Internacional de Arquivos (ICA) de estabelecer um parâmetro mundial de descrição de arquivo. Desde o anúncio de sua versão preliminar em 1988, em Ottawa, até sua popularização atual, a diretriz tem sido usada de maneira cada vez mais flexível. Também foi utilizado por gerentes e especialistas em diferentes tipos de instituições de custódia de documentos, indo além dos limites dos arquivos. Na primeira década, o ISAD (G) foi pouco divulgado, pouco conhecido pela comunidade de arquivos não especializados e pouco utilizado pelos países fora dos do grupo de trabalho inicial.

Um movimento mais significativo em direção à expansão do alcance da ISAD (G) pode ser esquematicamente situado a partir de 2003, com discussões mais sistemáticas sobre a adoção de diretrizes específicas em diferentes países e a respectiva elaboração de documentos de natureza nacional e regional. A discussão dos limites práticos e teóricos de um padrão que pretende ser internacional quase coincidiu com a publicação da segunda edição da diretriz. Esse movimento, cujos principais atores estavam na Espanha, praticamente inviabiliza a ideia de redigir uma terceira edição do documento. O que foi criado como Padrão Internacional começou a ser nacionalizado.
Em 2006, o Brasil aprova e publica sua diretriz específica, a Norma Brasileira de Descrição Arquivística (NOBRADE) (BRASIL, 2006). No final do mesmo ano, a Catalunha publica seus padrões regionais: a Norma de Descrição Arquivística da Catalunha - NODAC (BERNAL, 2006) - apesar de não ter incluído uma versão catalã do ISAD (G) na ICA; O NODAC é traduzido para espanhol e inglês no ano seguinte. Não são diretrizes concorrentes ou contraditórias, mas complementares à ISAD (G), com o objetivo de melhorar a descrição de acordo com as tradições, práticas e especificidades nacionais e regionais de arquivo. A existência de um padrão internacional que descreva documentos de arquivo é convertida em uma ferramenta de potencial interesse para museus, centros de documentação e até bibliotecas, responsáveis por lidar com documentos de natureza não arquivos.

A tentativa de usar o ISAD (G) em materiais sem vínculo arquivístico pode resolver alguns problemas específicos. No entanto, representará um grande esforço que, necessariamente, não se beneficiará da principal qualidade da diretriz; que será subutilizado e certamente não atenderá totalmente às demandas informacionais dos custodiantes de documentos não arquivístico.
As atividades de arquivo são apresentadas como uma rede diversificada, na qual cada atividade tem características específicas e está interconectada com as demais. Miller (1990) reafirma a dimensão que as atividades de descrição têm no processo de arquivamento, com sua ação restrita à parte final de um sistema complexo. Não se trata aqui de discutir se esse esquema é pertinente ou não para melhor entender as operações de arquivamento. Também não vale a pena mencionar a diferença clássica entre registros e arquivos. É importante perceber que o escopo da ISAD (G) é bastante específico e está vinculado a uma série de atividades anteriores, também específicas aos arquivos.
Descrição é a atividade que tem maior visibilidade, pois representa o principal ponto de contato de não especialistas com arquivos. Isso leva a comparações com outras áreas, responsáveis pela custódia de documentos semelhantes, nas quais ele ocupa locus sistêmico semelhante, mas não equivalente ao dos arquivos. O fato de a parte inferior do esquema de Miller - do item "armazenamento / preservação" - ser vista como representativa equivalente por outros tipos de instituições custodiantes de documentos não pode implicar uma transposição direta de instrumentos e procedimentos.

ISAD (G) está focado em atividades de descrição; além de representar um escopo de ação limitado e específico, não abrange:
Organização física e lógica de coleções e / ou instrumento de gestão para documentos atuais e intermediários: por se concentrar na descrição, o ISAD (G) não deve ser entendido como uma ferramenta para classificação e/ou arquivo de atividades de controle, apesar de referenciar tais dados (LOPEZ 2005); para essas atividades, existem ferramentas muito mais eficazes e apropriadas (que também podem ser desenvolvidas); a natureza dos dados necessários para as atividades de gerenciamento é totalmente diferente daquela exigida para descrição e para arquivos permanentes.

Descrição de coleções (mesmo que por arquivos) e / ou outros conjuntos de documentos não arquivados: uma das características essenciais dos documentos arquivados é o vínculo arquivístico, que será traduzido no esquema hierárquico de classificação. Também se reflete na estrutura multinível da diretriz, em materiais de arquivo - incluindo coleções - não possuem vínculo de arquivo, apesar de serem subdivididos. Eles não podem ser alocados nos níveis mais altos da diretriz (fonds, subfonds, séries e subséries); o uso da diretriz nesses casos desativa os campos para vínculo arquivístico e maximiza a descrição do conteúdo apenas dos itens documentais. No Brasil, a descrição exaustiva dos itens tem sido frequente onde quer que haja uma abundância de práticas de biblioteconomia nos arquivos. Aqui, as práticas de biblioteconomia da descrição por conteúdo são muito fortes, portanto problemáticas para o universo dos arquivos. Os documentos que não são contextualizados ou organizados - em séries, classes, subconjuntos (grupos) e documentos - 5 são, no entanto, frequentemente descritos, não compatíveis com a diretriz ou os princípios teóricos da Ciência do Arquivo.

Outro problema é que a diretriz carece de atualização e envelhece naturalmente. Criado no final dos anos 80 e concluído há mais de 10 anos, o ISAD (G) está desatualizado, por exemplo, no que diz respeito a documentos digitais, com base em um modelo de descrição de referência bem abaixo das capacidades atuais das tecnologias de informação e comunicação (TICs). Portanto, existe uma lacuna entre a proposta conceitual da diretriz e sua implantação, que é cada vez mais flexível, tanto para atender às próprias demandas de algumas tradições de arquivo, quanto para que outros tipos de documentos possam ser descritos com o ISAD (G). A adoção de uma maior flexibilidade para atrair mais usuários, em última análise, permite a descrição de grupos não arquivados, como as coleções contempladas pela NOBRADE. Ao flexibilizar o conceito de série, entendido como uma simples subdivisão por tópico, portanto, sem vínculo arquivístico, a Diretriz Brasileira (BRASIL, 2006, p. 16) possibilita a simplificação do produto final. Na prática, torna-se um mero cartão de descrição de itens documentais por tópico. Essa possibilidade leva à percepção incorreta de que certos tratamentos baseados em conteúdo seriam práticas comuns e comuns para arquivos, transformando a exceção em ocorrência hegemônica. Os limites da descrição e muitas vezes os próprios arquivos são assim extrapolados.

Uma das principais diferenças entre a descrição arquivística e a dos itens é o aspecto do vínculo arquivístico. Com as novas TICs, os detalhes do conteúdo documental são cada vez menos necessários, pois é possível fornecer acesso a cópias completas dos documentos. A descrição do arquivo deve ser primeiramente orientada a descrever o plano de classificação, tornando o vínculo de arquivo do fond inteligível para fornecer acesso aos documentos. É importante perceber que, no universo dos arquivos, é possível encontrar informações idênticas do ponto de vista do conteúdo com diferentes vínculos de propriedade e arquivo. Podem ser novos documentos gerados a partir de reproduções de conteúdo, como no caso das fotografias (LOPEZ, 2003, p. 78-79; LOPEZ2009, p. 264-265); bem como um novo significado atribuído e consequente mudança de uso, como no caso de algumas obras de arte (LOPEZ, 2000, p. 146 e ss.).
A agenda é vasta, complexa e improvável de ter uma conclusão consensual entre as mais diferentes entidades e instituições dedicadas à guarda de documentos. O fato concreto é que a crescente demanda por modelos prontos para serem aplicados hoje está impulsionando a influência da ISAD (G) além do mundo dos arquivos. Além do fato de que os documentos e a atividade de descrição estão sendo drasticamente alterados pelas novas TICs, a uma velocidade muito mais rápida do que a capacidade da ICA de revisar e expandir o escopo dessa forma de descrição de documentos que existe há um quarto de século.
)


Políticas de acesso aos primeiros documentos fotográficos de Brasília e de sua universidade, de André Lopéz.



                                                                                                       Jordana Padovani



O artigo POLÍTICAS DE ACESSO AOS PRIMEIROS DOCUMENTOS FOTOGRÁFICOS DE BRASÍLIA E DE SUA UNIVERSIDADE tem dois objetivos:

"(...) introduzir o leitor internacional à problemática da gestão e custódia dos primeiros documentos fotográficos de Brasília e levantar alguns pontos para a discussão das políticas de acesso –e de uso e apropriação comercial— das respectivas imagens".
Nesse contexto, vale destacar, de acordo com López: "A cidade de Brasília possui uma situação interessante devido à particularidade de haver sido artificialmente criada, em uma zona sem urbanização anterior, há pouco mais de 50 anos. Trata-se de uma das 100 maiores cidades do mundo, com população atual estimada em mais de 2,5 milhões de habitantes e um histórico urbano recente e muito registrado por lentes fotográficas. A construção é iniciada em 1956, no centro geográfico do Brasil. (...) A nova capital é inaugurada em 21 de abril de 1960, e, ainda hoje, muitos dos espaços e edifícios planejados no século passado continuam a ser construídos” (pp. 55-56). 
Uma relação importante, conforme López, é a que foi estabelecida entre Brasília e a UnB: "A história de Brasília e de sua universidade estão absolutamente entrelaçadas já que, desde os projetos de criação, uma não pode ser pensada sem a outra. Infelizmente, em ambos os casos, há um hiato de cerca de 25 anos entre a inauguração e a criação de um arquivo responsável pela custódia e pela gestão dos documentos permanentes, incluindo os registros fotográficos (...) A UnB, assim com a cidade que a abriga, teve sua construção fotografada. O grande destaque arquitetônico no período é o Instituto Central de Ciências, cujas obras foram iniciadas em 1967. Trata-se de um edifício com 720 metros de comprimento e 6.600 metros quadrados de área. A universidade teve, nos anos subsequentes à sua criação, sobretudo após o golpe militar de abril de 1964, importante papel no cenário político da capital, que culminou com uma invasão policial fotograficamente registrada em 1968 (2014, pp. 57-58; 60).
Destacam-se o Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) e o Centro de Documentação da Universidade de Brasília (CEDOC), que são intuições de custódia do patrimônio fotográfico brasiliense. Alguns problemas são relatados por López, tais como:
"O ArPDF e o CEDOC não possuem política clara e firme para o controle de direitos de uso e reprodução das imagens custodiadas por seus respectivos acervos, que vá além da obrigatoriedade da indicação de fonte. Se, por um lado, tal situação facilita a difusão, acesso e conhecimento das importantes imagens sobre a criação da cidade e sobre importantes acontecimentos políticos ocorridos na UnB, por outro lado, estimula a adulteração dos documentos e/ou das informações sobre os mesmos, gerando risco de perda de titularidade e de direitos" (2014, p. 65).
 Em relação às conclusões do trabalho, López pontua que:
"Tanto os documentos fotográficos sobre a origem de Brasília custodiados pelo ArPDF, como as imagens referentes à UnB, geridas pelo CEDOC, representam um valioso patrimônio fotográfico para a história da cidade e do país. Algumas imagens possuem, ainda, particular valor histórico, estético e/ou técnico. Felizmente os setores aqui analisados, a despeito das frequentes limitações que soem existir em instituições públicas deste tipo no Brasil, possuem boas instalações e laboratórios técnicos para as atividades de conservação, preservação e digitalização. Os principais problemas observados referem-se a um tratamento documental pouco eficiente, desprovido de informações contextuais, revelador da necessidade de se retomar a aplicação dos princípios arquivísticos nas atividades de identificação, contextualização, classificação e descrição dos acervos. O risco decorrente de tais deficiências acabam por comprometer um importante patrimônio documental, tanto pelo aporte de conteúdo informacional pouco relevante ou equivocado, como pela perda de controle de uso do acervo por outrem. Empresas privadas lucram com a situação, pois, com maior ou menor competência, acabam por serem as principais (ou únicas) alternativas de acesso às imagens" (2014, p. 68).


Referência:
LOPEZ, A. Políticas de acesso aos primeiros documentos fotográficos de Brasília e de sua universidade. In:ZALDUA, M. (Org.). Del Artefacto Mágico al Píxel: estudios de Fotografía. Madrid: Fadoc/UCM, 2014; p. 55-69.